(Alguns) Casos de Família

2 jan

Acordam. Gritam daqui, gritam de lá. Ferroam-se daqui, mordem-se de lá. Todos se ferroando mutuamente, para ver quem vai desistir primeiro. Ao mesmo tempo o sentimento de raiva e rancor tenta se transformar em amor, que fica guardado no fundo, para não demonstrar o medo, a insegurança, e a mágoa que se forma todas as manhãs quando o ciclo recomeça.

Nos outros dias tudo se repete, não há trégua, não há ternura, não há o mínimo espaço para reconciliações. A ganância e o egoísmo é mais forte. E assim eles seguem, sem nunca pensar que tudo se vai um dia.

Mas assim como no fim do expediente, a solidão bate nos corações solitários e os faz perceber que se estão sozinhos é porque eles próprios aproximaram a solidão de si, a ponto de torná-la sua melhor amiga.

Quando chegam em casa, nessa milagrosa vez, olham para si, olham para os outros e percebem que tudo era bobagem e que as ferroadas não podem ser mais dadas. Assim como a abelha que ferroa e logo após morre, as ferroadas matam quem as ferroa e quem as recebe.

E eles continuam sozinhos, até o dia em que percebam que não são abelhas, são pessoas, e não precisam de tantas ferroadas.

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